quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Depressão cresce no mundo, segundo OMS; Brasil tem maior prevalência da América Latina

A depressão é uma doença que atinge mais pessoas ao redor do mundo a cada ano

Doença afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, segundo dados da OMS. Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade no mundo: 9,3%.

A depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (23) referentes a 2015. Em 10 anos, de 2005 a 2015, esse número cresceu 18,4%. A prevalência do transtorno na população mundial é de 4,4%.

Já no Brasil, 5,8% da população sofre com esse problema, que afeta um total de 11,5 milhões de brasileiros. Segundo os dados da OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, que têm 5,9% de depressivos.

O país com menor prevalência de depressão nas Américas é a Guatemala, onde 3,7% da população tem o transtorno. Já o país com menor prevalência de depressão no mundo, segundo o relatório, são as Ilhas Salomão, na Oceania, onde a depressão atinge 2,9% da população.

Além dos Estados Unidos, os países que têm prevalência de depressão maior do que o Brasil são Austrália (5,9%), Estônia (5,9%) e Ucrânia (6,3%).

Brasil é recordista em ansiedade

Ainda segundo a OMS, o número de pessoas com transtornos de ansiedade era de 264 milhões em 2015, com um aumento de 14,9% em relação a 2005. A prevalência na população é de 3,6%. É importante observar que muitas pessoas têm tanto depressão quanto transtornos de ansiedade.

O Brasil é recordista mundial em prevalência de transtornos de ansiedade: 9,3% da população sofre com o problema. Ao todo, são 18,6 milhões de pessoas.

Segundo a OMS, o número de pessoas com transtornos mentais comuns, como a depressão e o transtorno de ansiedade, está crescendo especialmente em países de baixa renda, pois a população está crescendo e mais pessoa chegam às idades em que depressão e ansiedade são mais frequentes.

Suicídio

Em 2015, 788 mil pessoas morreram por suicídio. Isso representou quase 1,5% de todas as mortes no mundo, figurando entre as 20 maiores causas de morte em 2015. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a segunda maior causa de morte em 2015.

Fonte: G1

Brasil é o país mais depressivo da América Latina, diz OMS

A depressão é a principal causa de mortes por suicídio

Índices de transtornos de ansiedade são o triplo da média mundial; transtornos mentais geram perdas de US$ 1 tri por ano para a economia global

GENEBRA - O Brasil tem a maior taxa de pessoas com depressão na América Latina e uma média que supera os índices mundiais. Dados publicados nesta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 322 milhões de pessoas pelo mundo sofrem de depressão, 18% a mais do que há dez anos. O número representa 4,4% da população do planeta.

No caso do Brasil, a OMS estima que 5,8% da população nacional seja afetada pela depressão. A taxa média supera a de Cuba, com 5,5%, a do Paraguai, com 5,2%, além de Chile e Uruguai, com 5%. 

No caso global, as mulheres são as principais afetadas, com 5,1% delas com depressão. Entre os homens, a taxa é de 3,6%. Em números absolutos, metade dos 322 milhões de vítimas da doença vivem na Ásia. 

De acordo com a OMS, a depressão é a doença que mais contribui com a incapacidade no mundo, em cerca de 7,5%. Ela é também a principal causa de mortes por suicídio, com cerca de 800 mil casos por ano. 

Ansiedade. Além da depressão, a entidade indica que, pelo mundo, 264 milhões de pessoas sofrem com transtornos de ansiedade, uma média de 3,6%. O número representa uma alta de 15% em comparação a 2005. 

Uma vez mais, o Brasil lidera na América Latina, com 9,3% da população com algum tipo de transtorno de ansiedade. A taxa, porém, é três vezes superior à média mundial. Os índices brasileiros também superam de uma forma substancial as taxas identificadas nos demais países da região. No Paraguai, a taxa é de 7,6%, contra 6,5% no Chile e 6,4% no Uruguai.

Em números absolutos, o Sudeste Asiático é a região que mais registra casos de transtornos de ansiedade: 60 milhões, 23% do total mundial. No segundo lugar vêm as Américas, com 57,2 milhões e 21% do total. 

No total, a OMS ainda estima que, a cada ano, as consequências dos transtornos mentais gerem uma perda econômica de US$ 1 trilhão para o mundo.

Fonte: Estadão

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

When Outside Stress Is Affecting Your Work #HBRLive

When Outside Stress Is Affecting Your Work #HBRLive

HBR editors Amy Gallo and Alison Beard are giving advice for how to deal with outside stress at work. They're also taking your questions, so post them here and they'll answer as many as they can.

A saúde não pode voltar...

"A saúde não pode voltar ao corpo enquanto o espírito continua enfermo."

As organizações do futuro...

"As organizações do futuro apostarão cada vez mais nesta profissional, competente técnica e emocionalmente." - Armando Ribeiro para a revista Profissional & Negócios.

Imagem de "coitadinho" não ajuda

Vitimização é o tema da minha coluna de hj em A Tribuna. Amei as informações do psicólogo, que virou um amigo querido, Armando Ribeiro. Profissional incrível! A seguir, reproduzo algumas frases dele: "A imagem de coitadinha impedirá que a pessoa se torne plena, ou seja, protagonista da sua vida e não mera coadjuvante". "Quem acredita que é vítima do mundo, dificilmente aprende e cresce com as dificuldades". "Problemas emocionais não tratados acabam virando uma desculpa para a falta de coragem de reescrever a própria história e mudar o seu final".

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Gravações para o jornal da RIT TV

Bastidores da entrevista do Prof Armando Ribeiro para o repórter Kleber Werneck do jornal da RIT TV nas imediações do Centro Cultural São Paulo. 
 
RIT TV.

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Afinal, para que tanta pressa?


Você acorda cedo, toma café correndo, um banho apressado e percebe que mesmo assim está atrasado? Na sua empresa, muita pressão para entregar um relatório que era para estar pronto há algum tempo? Na hora do almoço, mal dá tempo de sentar e comer? Isso sem falar no resto do dia. Cuidado. Você pode estar sofrendo da doença da pressa. Termo usado pelos médicos para definir essa sensação intensa de que se está correndo contra o tempo, de que o dia com 24 horas não é suficiente, de que a vida está passando rápido demais. Costuma vir acompanhada de atrasos nos compromissos sociais, escolares, déficits de atenção e memória e desorganização. A falta de tempo, corre-corre diário e a necessidade de produzir mais em menos tempo adquiriram números tão altos que ganharam embasamento médico. Um estudo feito pela International Stress Management Association (Isma), entidade internacional que estuda o estresse, com mil brasileiros economicamente ativos, revelou que 30% deles sofriam da “doença da pressa”, apresentando sintomas físicos (hipertensão e problemas cardiovasculares); emocionais (angústia) e comportamentais (abuso do álcool).

“A síndrome acontece quando somos estimulados por circunstâncias da vida a alterar esses ritmos e está normalmente associada ao estresse e à ansiedade”, afirma o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor e supervisor clínico da USP. Para o psicólogo gestalt-terapeuta Hugo Ramón Barbosa Oddone, os sintomas mais comuns são as chamadas somatizações como pressão arterial muito alta, falta de ar, dores do tipo angina, enxaquecas, cefaleias, musculares e febres, e os sintomas psicológicos típicos como as diversas fobias, que, quando se tornam mais repetitivos e complexos, podem levar à síndrome de pânico e outras síndromes graves. “Algumas pessoas são alvos prediletos. São aquelas que trabalham em funções altamente competitivas por muito tempo, sem terem o tempo necessário para recuperar-se do estresse diário.”

É curioso notar que o sintoma mais comum, atualmente, nas crianças, é o fenômeno da hiperatividade. Segundo o psicólogo André Apolinario Silva Marinho, a hiperatividade reflete o jeito de ser de uma época, em que tudo tem de ser hiper. O diagnóstico é o excesso de estímulo e de movimento. “Não são algumas pessoas que sofrem da doença da pressa, é toda uma época, um momento histórico, a sociedade. Pensando desse ponto de vista, a loucura é estar na contramão disso tudo. As pessoas, quando param, sentem um vazio tão grande que imediatamente buscam algo para fazer. Isto ocorre porque estamos tão identificados com aquilo que fazemos que nos tornamos aquilo que fazemos.” Para combater a mania moderna de velocidade, o especialista Armando Ribeiro das Neves Neto afirma que desacelerar deve passar a ser a palavra de ordem. Em casa, no trabalho, nas relações e no ritmo interior, levar a vida com mais calma deve se transformar numa tendência comportamental diária.

“Identificar e modificar os pensamentos catastróficos é parte do tratamento. De forma mais simples, bons pensamentos atraem bons sentimentos e mesmo com um trabalho estressante você fica protegido dos efeitos negativos do estresse; já pensamentos distorcidos acentuam as reações do organismo, levando ao adoecimento físico e emocional.” Oddone sugere seguir o que Napoleão Bonaparte dizia ao valete que o ajudava a vestir-se: devagar que estou com pressa. “Influenciados pelo espírito francês, quanto mais pressa temos, mais impecáveis nos tornamos, ou seja, mais cuidadosos, mais lentos, vagarosos e sem perder a pró-atividade e a assertividade. Façamos as coisas bem acabadas para conseguir curtir o produto do nosso esforço”, afirma.

Gerencie agora seu estresse

No culto à vagareza, o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor e supervisor clínico da USP, defende desde uma alimentação sem pressa até andar de bicicleta. “Precisamos descondicionar a pressa. Aprenda a curtir um banho caprichado no final do dia, uma refeição saudável, a companhia de pessoas alegres e positivas. Procure novas experiências sensoriais, como novos restaurantes, refeições e viagens. Faça um diário para descrever e refletir sobre as experiência do dia. Faça atividade física regular, aproveite para passear com o cachorro, ou mesmo voltar a andar de bicicleta.” Para seguir um caminho num ritmo ainda mais tranquilo, é preciso aprender a respiração diafragmática. É uma estratégia fundamental para controlar o estresse físico e emocional, pensar com mais clareza e resolver os problemas reais da vida. “Quando já adoecemos por causa do estresse ou ansiedade é fundamental procurarmos ajuda especializada.

Os tratamentos, em geral, consistem em programas científicos baseados nas pesquisas médicas e psicológicas atuais sobre a avaliação e o tratamento dos sinais e sintomas do estresse, bem como na criação de projetos para a identificação e redução do estresse nas empresas, escolas e individualmente.” Para Neto, a prevenção da doença baseia-se nos programas de gerenciamento de estresse, que normalmente incluem: avaliação do nível e fase de estresse, informação científica sobre o estresse e os seus efeitos em nossa vida, técnicas de respiração e de relaxamento, autorregulação psicofisiológica por meio de modernos equipamentos de biofeedback, técnicas de meditação e/ou práticas corporais (ex. ioga, tai chi), atividade física regular, alimentação equilibrada e acupuntura energética.

SAIBA MAIS:

:: Além do cotidiano atribulado e sobrecarregado, também é preciso reconhecer que o equipamento estrutural da pessoa pode facilitar ou dificultar render-se à doença da pressa. Há pessoas com maior resistência, mais estruturadas para enfrentar longos embates com as exigências do mundo, e outras não

:: O deus mitológico representante do tempo é Cronos, e na sua história, ele é um pai que devora e mata seus próprios filhos. A pressa dos tempos atuais é um exemplo de como os paradigmas socioculturais orientam o nosso modo de ser, pensar e agir. Vivemos em um momento histórico no qual tudo deve ser feito com muita rapidez e eficiência

:: A doença da pressa normalmente é imperceptível ou invísivel para a maioria das pessoas, pois o ambiente de trabalho, escolar ou familiar acaba mascarando os sintomas do estresse e a sua prevenção. No trabalho pode ser responsável por baixa produtividade, faltas recorrentes; na escola pode representar baixo rendimento escolar, indisciplina, faltas e no ambiente familiar pode representar problemas conjugais, íntimos, entre pais e filhos etc.

:: Mãos e pés frios, boca seca, dor no estômago, aumento de suor, tensão e dor muscular são estados de alerta

Estresse: saiba por que esse problema se tornou uma epidemia global

Considerado uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde, o estresse é um problema que atinge pessoas no mundo todo. Conheça os sintomas e saiba como prevenir os tratamentos desse mal.

A entrevista do Prof Armando Ribeiro no programa Hoje em Dia da TV Record pode ser vista no link.

Tags: Chris Flores, Hoje em Dia, Celso Zucatelli, Eduardo Guedes, causas estresse, consequências estresse, epidemia, epidemia do século XXI, estresse, problemas estresse




sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Controle a raiva e viva feliz

A raiva é uma emoção natural e necessária na vida de todo ser humano. Mas quando se torna constante, pode prejudicar muito os relacionamentos e a saúde. Confira neste post algumas dicas para equilibrar-se e neutralizar este sentimento.

“Sentir raiva quando somos provocados ou agredidos é normal e difícil de controlar. É uma reação de sobrevivência da espécie. Neste caso, se a raiva salvar sua vida, será positiva”, diz a psicóloga Marilice Rubbo Carvalho, especialista em comportamento cognitivo pela USP (Universidade de São Paulo).

Segundo Armando Ribeiro das Neves Neto, psicólogo e coordenador do programa de avaliação do estresse do hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, as medicinas antigas defendiam que todas as emoções são positivas se estiverem equilibradas em nossas vidas. A raiva pode ser um gatilho para nos mobilizar para a ação. É uma emoção muito poderosa e que, quando bem canalizada, nos faz ter energia para enfrentar as dificuldades”, diz ele.

Em pequenas doses, a raiva pode servir de impulso para ações ou motivação para mudanças. Mas sentir raiva com frequência pode indicar alto grau de estresse ou até mesmo alguma patologia, prejudicando a saúde e o convívio social.

Veja como lidar com a raiva de forma positiva

O primeiro passo para lidar com esse sentimento é não negá-lo. Se ele está lá, tente entendê-lo e avaliá-lo com a maior clareza possível, prestando atenção nos pensamentos que o levam a sentir raiva e sentindo se a sua reação é desproporcional no momento.

Para isso, é preciso avaliar a situação com tranquilidade e tentar olhá-la de vários ângulos, e não somente o seu. A ajuda de um terapeuta pode ser de grande valia neste processo. Descubra o que desencadeia a raiva em você.

Procure encontrar meios acertivos de expressar o que incomoda, quando possível, de forma clara e objetiva. Isso evita que se guardem mágoas mal resolvidas que poderão se transformar em raiva acumulada.

Agir por impulsividade também pode levar uma pessoa a excessos desnecessários. O ideal, ao sentir aquele acesso de raiva, é sempre esperar antes de reagir. Imediatamente concentre-se em sua respiração e procure deixá-la o mais profunda e lenta o possível. A respiração profunda e consciente ajuda a relaxar, liberando hormônios de bem estar e neutralizando os de estresse que desencadeiam a raiva. Só apenas depois de relaxar é que se deverá tomar uma atitude.

Investir em atividades que ajudem a canalizar este sentimento, como algum esporte, yoga e meditação também são boas formas de lidar com a raiva. É possível transformar sentimentos negativos em positivos quando você se propõe a transferir essa emoção para uma atividade construtiva.

Sentir raiva excessiva e de forma constante pode trazer diversos males ao indivíduo ao longo do tempo, como cansaço físico, perda de memória e insônia. A descarga de adrenalina e cortisol(hormônios do estresse) constante no organismo leva a alterações fisiológicas como aumento da pressão e dos batimentos cardíacos, tonturas, vertigens, tremores, sudorese, pelos arrepiados e ansiedade. É como se o corpo, literalmente, se preparasse para o ataque. Em casos crônicos, levam a infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A raiva também pode levar à obesidade, já que está por trás do transtorno do comer compulsivo, que leva indivíduos a ingerirem desenfreadamente comida.

Isso sem contar os prejuízos no convívio social e o isolamento que o sentimento pode acarretar, uma vez que alguém constantemente raivoso se torna desagradável, afastando as pessoas que ama de perto de si. “Raiva excessiva maltrata o corpo, a mente e principalmente as relações. É responsável por destruir casamentos, impedir a comunicação afetiva e a escuta atenta. Literalmente, ela cega”, fala Neves Neto.

Explosões de raiva e seus antídotos

Atitudes como inflexibilidade, perfeccionismo, exigência e impaciência transformam o indivíduo em alguém mais raivoso que os demais. Como quase sempre as coisas não saem da forma como a pessoa gostaria, ela se sente frustrada, insegura e ameaçada, e se torna alvo fácil da raiva. Essas explosões podem indicar algum problema psiquiátrico, como transtorno bipolar, caracterizado por oscilações de humor que podem levar a ataques de fúria e raiva, ou transtorno de personalidade borderline, cujas características de comportamento são explosão, agressividade, intolerância e irritação. Por isso, para quem se sente dentro deste quadro extremo, recomenda-se uma avaliação com especialista para um diagnóstico e tratamento adequado. “É necessário fazer uma reestruturação cognitiva para que seus pensamentos e crenças de vida possam ser trabalhados e assim ter uma melhora”, explica a psicóloga.

Para o budismo, a melhor forma de combater a raiva não é suprimindo-a, e sim cultivando seus antídotos, que são a compaixão e a paciência. Um cérebro condicionado a reações explosivas pode ser “reprogramado” e a personalidade transformada. Para isso é necessário que se cultive, em 10 minutos de silêncio diários bem como em alguns intervalos ao longo do dia, os pensamentos positivos, as ações que o façam sentir-se realizado e atitudes de gentileza para com os outros e com você mesmo.

Este olhar mais aprofundado para dentro da sua mente e do seu coração faz com que, ao londo do tempo, as tendências de reatividade se modifiquem. Desta forma, todos podem conhecer a verdadeira felicidade e realização.

Fonte: Blog

Saber como e quando desacelerar a rotina é fundamental ao bem-estar

Pisar no freio não é fácil, mas quem consegue costuma ser mais feliz e tolerante

Pare para pensar quantas vezes, nos últimos tempos, você disse as frases "Estou sem tempo" ou "Ando cansado demais". Se chegou à conclusão de que foram muitas, cuidado! Pode ser uma falha no gerenciamento das tarefas cotidianas, consequência direta de uma vida acelerada, que leva ao desgaste físico e mental. 

"O tempo já foi nosso amigo, mas a multiplicidade de atividades, possibilidades e deveres cresceram. Vivemos um momento com mais com mais obrigações e responsabilidades", atesta o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Para ele, smartphones, tablets e computadores portáteis, que deveriam trabalhar a favor de quem busca eficiência e praticidade, acabaram fazendo o contrário. "Ao invés de terem a rotina facilitada pela tecnologia, algumas pessoas deixam de enxergar com clareza os limites entre a vida profissional e a pessoal", acrescenta. 

E tem mais: estar extremamente ocupado é uma condição que a nossa sociedade valoriza e à qual se atribui até um status desejável. "As pessoas com tempo livre acabam sendo menos prestigiadas e podem até ser vistas com preconceito pelas demais", afirma a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR). Assim, as pessoas se sentem encorajadas a correr constantemente contra o tempo, na ânsia de cumprir mais e mais tarefas diariamente.

Essa prática, no entanto, faz o corpo perecer. Aparecem as dores musculares decorrentes da tensão, dores de cabeça, problemas com o sono, males gastrointestinais e taquicardia. O emocional também sofre e crescem as chances de desenvolver quadros de ansiedade, angústia, culpa e frustração. "Numa tentativa de sobreviver ao estresse crônico, buscamos pequenos prazeres imediatos: comer, comprar, ingerir bebidas alcoólicas. Só que esses comportamentos só servem para mascarar o desequilíbrio e para agravar ainda mais os problemas de saúde e o mal-estar", destaca Ribeiro. 

Para desacelerar sem perder o pé da realidade a chave é planejar. "É muito comum que as pessoas estabeleçam uma lista de tarefas para o dia sem levar em conta interrupções comuns, como deslocamentos e trânsito. Dessa forma, elas nunca conseguem cumprir tudo o que planejaram para o dia e terminam frustradas", analisa Ana Maria. A partir de um planejamento mais realista, organizado por ordem de prioridade, é possível focar um problema de cada vez, aumentar a eficiência em cada tarefa e, o melhor: desfrutar de algum tempo livre depois. 

Atividades que transformam

Quem se mantém na contramão desse movimento superacelerado costuma ser mais feliz e tolerante. Por outro lado, pisar no freio no mundo exigente de hoje não é tarefa das mais fáceis. Uma boa pedida é incorporar à rotina práticas que ajudam a restabelecer a tranquilidade, como ioga, por exemplo. "O principal benefício da ioga é aquietar a mente e fazer o praticante voltar sua atenção ao momento presente", explica Marcia De Luca, especialista em ioga, meditação e ayurveda. Segundo ela, as linhagens que enfatizam este aspecto são a Hatha, a Bhakti e a Kundalini Ioga. 

Outro caminho para acalmar os pensamentos, a meditação pode ser feita em um ambiente calmo e silencioso, em casa mesmo. "Pode-se ainda aromatizar o local com óleo essencial de lavanda, para ajudar a relaxar", sugere Marcia. Feito isto, sente-se com a postura ereta e os olhos fechados. "Durante cinco minutos, inspire em quatro tempos e expire da mesma maneira. O pensamento deve estar voltado apenas para a respiração", ensina. No começo, é quase impossível evitar que uma avalanche de ideias tente impedir a mente de serenar. Porém, com tempo e perseverança, vai ficando cada vez mais fácil. "Depois de treinar por vintes dias seguidos, comece a aumentar o período de meditação gradativamente", aconselha a especialista. 

A importância da respiração

Se você não tiver nem mesmo esse tempinho, um cuidado extra com a respiração já ajuda a aliviar a pressão. "É preciso se perguntar, repetidamente, se a respiração está correta. Existe comprovação científica de que acalmar o ritmo em que respiramos tranquiliza a mente", diz Márcia. "Uma vez que nos tornamos conscientes da respiração, revertemos a produção dos hormônios do estresse e potencializamos a capacidade de recuperação do corpo e da mente", afirma completa Ribeiro.

Aos poucos, os comportamentos que colaboram na diminuição do estresse e da correria vão se cristalizando e se tornando hábitos. "Não existe milagre. É preciso dar tempo ao tempo e ter força de vontade para mudar o ritmo de vida, mas vale a pena. Ao final do processo, a recompensa virá em forma de um bem-estar sem igual", finaliza a psicóloga.

Fonte: UOL

Mario Bros na Psicoterapia

E então Mario, o que o fez procurar a ajuda de um Psicólogo?
Estou passando por uma fase difícil...

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Tá estressado, vai meditar!

Tá estressado, vai meditar!
Participação do Prof Armando Ribeiro no programa Jornal da Cultura 1a. Edição falando sobre as pesquisas que apontam que meditar no ambiente de trabalho pode ser mais eficiente do que tirar férias para reduzir o estresse excessivo do dia-a-dia.

Montando o quebra-cabeças da mente... Psicoterapia


Psicoterapia... Processo que facilita a identificação e montagem das peças da mente!

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Empresa de turismo faz propaganda que desmerece Psicologia. Fonte: CRP-PR

Empresa de turismo faz propaganda que desmerece Psicologia
Slogan diz que viagem substitui trabalho de Psicólogas(os)

Reprodução de post feito pela empresa nesta terça-feira (14)

“Eu não preciso de um psicólogo. Só de uma boa viagem”. Uma imagem de destino turístico com este slogan foi o artifício utilizado pela empresa CVC para atrair mais clientes em sua página no Facebook. A frase, que desmerece a profissão de Psicólogas(os), foi mal recebida por muitos seguidores da agência e causou indignação entre profissionais.

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) manifesta seu repúdio a qualquer forma de propaganda que desmereça a ciência da Psicologia e o valor da atuação da categoria. A(O) Psicóloga(o) está inserida(o) em diferentes setores da sociedade e realiza um trabalho importante nos mais diversos contextos. Mensagens que deturpem este valor causam um desserviço à sociedade e à(o) profissional Psicóloga(o).

Em poucas horas, a postagem foi excluída pela empresa, que respondeu aos vários comentários – feitos em outras postagens em referência ao slogan – pedindo desculpas pelo ocorrido. Até o momento, a CVC não fez uma postagem específica sobre o caso, tendo se manifestado apenas nos comentários.

Fonte: CRP-PR

Estresse: Como combater o mal do século! Vida Melhor da Rede Vida

Entrevista do Prof Armando Ribeiro no programa Vida Melhor da Rede Vida de TV apresentado por Cláudia Tenório.

Na saúde e na justiça. Especial CRPSP

Armando Neto conta que a avaliação identifica níveis de estresse antes das doenças
Veja o vídeo

Avaliação psicológica em um hospital para identificar pacientes com estresse, foi uma inovação introduzida por Armando. Lúcia utiliza o mesmo processo para analisar casos na Justiça envolvendo crianças e adolescentes. Conheça essas duas aplicações. 

Quem procura um médico ou um hospital para fazer a avaliação geral de seu estado de saúde costuma sair com uma receita para check-up que inclui inúmeras análises físicas e laboratoriais. Sentiu falta de alguma coisa? Sim, a investigação sobre a saúde mental quase sempre é deixada de lado. Pensando nisso, o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto propôs a criação de um Programa de Avaliação de Estresse à Beneficência Portuguesa, em São Paulo, onde trabalha desde 2000. A princípio, a avaliação foi agregada ao serviço de check-up que era oferecido por um dos hospitais da instituição, o São José. Desde 2012, porém, o hospital deixou de realizar check-ups. Mas o programa continuou, de forma independente. Considerado inédito na época de sua criação, em 2010, o objetivo não é apenas o de tratar pessoas diagnosticadas com estresse, mas principalmente identificar os primeiros sinais antes de ele se manifestar. 

"O programa seguiu um modelo que eu trouxe dos Estados Unidos e que lá é disseminado em hospitais modelo, como o de Harvard, onde fiz estágio. Ele utiliza conceitos do check-up médico e permite fazer o levantamento de perfis comportamentais que podem sugerir a existência de um nível de estresse antes que os sintomas da doença apareçam", explica Neto, que coordena o programa. O psicólogo, que possui certificação em Diagnóstico e Gestão do Estresse pela Harvard Medical School, cursou MBA em Saúde Ocupacional pela Unifesp. 

A iniciativa de Neto mostra que, embora a avaliação seja um processo assimilado na rotina de psicólogas/os das mais diversas áreas, há campos em que é pouco explorado. Para ele, a avaliação de estresse é essencial porque este é um fator desencadeador de outros problemas de saúde, como acidente vascular cerebral, gastrite e síndrome do intestino irritável. 

"Devido à falta da cultura de fazer avaliações psicológicas para chegar a um diagnóstico precoce do estresse, os pacientes só chegam ao psicólogo muito tempo depois de iniciar tratamentos medicamentosos ou cirúrgicos indicados por conta desses outros problemas de saúde", afirma o psicólogo, acrescentando que é comum também que nos atendimentos convencionais médicos prescreverem férias como terapia. Mas, de acordo com Neto, ficar um tempo longe do trabalho não é nem uma solução mágica e nem curativa. Antes, ressalta, é necessário fazer uma avaliação detalhada. "O diferencial do nosso Programa de Avaliação de Estresse é que nós fazemos a mensuração da doença para possibilitar uma recomendação mais acertada do que a pessoa deve fazer para gerenciá-la, tornando-se mais resiliente. Afinal, algumas causas de estresse, como a correria da vida em grandes cidades, não podem ser eliminadas com férias", afirma Neto. 

Desafios de um modelo novo 

Introduzir a avaliação psicológica para identificação do estresse em um grande hospital não foi tarefa simples, segundo conta. Quando propôs o programa, muitos colegas estranharam o fato de o hospital incluir um psicólogo em função de check-up. Para ele, o papel da/do psicóloga/o como avaliador é subdimensionado. Mesmo na comunidade médica resiste a imagem desse profissional ligada apenas ao atendimento em consultório. 

"Essa visão estereotipada e reducionista do papel da Psicologia precisa mudar", afirma Neto. "Afinal, corpo e mente não são dissociados." Ele enfatiza que as condições de ambos devem ser avaliadas igualmente se o objetivo é prevenir doenças. O psicólogo exemplifica dizendo que um usuário pode se sair bem na avaliação cardiológica ou apresentar nível adequado de colesterol, mas se seu nível de estresse, ansiedade e depressão não forem investigados ele poderá manifestar em breve sintomas físicos de adoecimento. "Ao incluir a avaliação psicológica no programa de check-up, fizemos outra constatação interessante: muitos pacientes tiveram contato ali, pela primeira vez, com psicólogos. Alguns jamais haviam se consultado antes, porque ainda há um pensamento dominante de que ir tem problema mental." 

Para viabilizar o programa, Neto também precisou adaptar o que aprendeu em sua experiência em Harvard à realidade brasileira. Ele criou um protocolo de testes psicológicos de rápida aplicação, que oferece indicadores sobre o nível de estresse da pessoa. A dificuldade nesse ponto foi encontrar testes validados pelo Conselho Federal de Psicologia, já que não era possível simplesmente traduzir ou reproduzir os testes aplicados no exterior.

Análise psicológica para o Judiciário de Bauru, foi o trabalho de 
Lucia Rodrigues de Almeida por vinte anos

Avaliação no campo jurídico 

Em Bauru, a experiência da psicóloga Lucia Maria Rodrigues de Almeida mostra outro campo importante em que o processo de avaliação é utilizado. Atualmente ela trabalha prestando atendimento psicossocial clínico aos funcionários do Poder Judiciário da cidade e região, mas por mais de duas décadas se dedicou à análise psicológica em processos jurídicos envolvendo crianças e adolescentes. 

Depois de uma breve experiência com avaliação de internos para fins de progressão de pena na Penitenciária 2 de Bauru, em 1994, Lucia foi chamada para assumir o cargo de psicóloga no Tribunal de Justiça - para o qual havia prestado concurso. "Foi o primeiro grande concurso de psicólogos para o interior do estado e minha turma foi a que iniciou esse serviço de avaliação. Foi um grande desafio, pois até então não havia clareza entre os funcionários da área de Direito sobre qual seria o papel de psicólogos em um serviço jurídico", explica. A visão de seus colegas no Tribunal, assim como acontece em outras áreas da sociedade, era a do estereótipo de psicóloga/o que atende em consultório ouvindo pacientes deitados em um divã. 

"Na avaliação apontávamos as falhas e omissões que poderiam ter acontecido por parte do Estado no que diz respeito a atender os direitos desse adolescente à saúde, à educação, ao lazer"
Lucia Rodrigues de Almeida

Aos poucos, Lucia e sua equipe mostraram que seu papel não era o de atuação clínica e sim o de avaliar os casos que chegavam às varas de Família e varas da Infância e Juventude com a finalidade de proporcionar aos juízes subsídios para suas tomadas de decisão. Se a situação envolvia, por exemplo, um adolescente que havia cometido um ato infracional, a avaliação psicológica era fundamental para mostrar ao juiz o histórico familiar e social e as circunstâncias em que isso havia acontecido. "Na avaliação também apontávamos as falhas e omissões que poderiam ter acontecido por parte do Estado no que diz respeito a atender os direitos desse adolescente à saúde, à educação, ao lazer etc. Mostrávamos como tudo isso pode ter influenciado para que o adolescente cometesse o ato infracional", diz ela. 

Junto com o trabalho de avaliação, segundo Lucia, abria-se também espaço para intervenções de orientação para famílias e escolas a respeito do encaminhamento que deveria ser dado às crianças e adolescentes, ou de direcioná-las para tratamento, quando necessário. Em outras situações, segundo a psicóloga, o trabalho assumia o caráter de mediação. Se o caso era sobre pais que disputavam a guarda de um filho, os profissionais faziam a avaliação para auxiliar o juiz em sua decisão, mas também orientavam o casal que se separara a refletir sobre a situação e, muitas vezes, chegar a um acordo tendo em vista o interesse da criança. Dessa forma procurava-se fazer com que as partes se tornassem mais flexíveis com o objetivo de alcançar o melhor acordo para o filho, tendo sempre em mente que o ideal é conseguir que a convivência com ambos os genitores seja harmoniosa. Eventualmente podia ser indicada uma terapia familiar, mesmo se tratando de um casal desfeito. 

Crianças e adolescentes em situação de acolhimento, que haviam sofrido violência de toda espécie ou sido encaminhadas para adoção também passavam pela avaliação da equipe da qual Lucia fez parte. "Cada caso podia ser avaliado por muitos atores envolvidos no cuidado com aquela criança ou adolescente. Fazíamos reuniões para discutir cada processo. Além dos psicólogos judiciários, as instituições de acolhimento e responsáveis pelos CAPS, por exemplo, relatavam como estava a situação para que se pudesse chegar a um consenso de encaminhamento", diz Lucia. 

"Ao incluir a avaliação psicológica no programa de check-up, fizemos outra constatação interessante: muitos pacientes tiveram contato ali, pela primeira vez, com psicólogos"
Armando Ribeiro das Neves Neto

Depois de tantos anos trabalhando com foco no processo de avaliação no Poder Judiciário, Lucia considera que a Psicologia tem muito a contribuir para um olhar mais humanizado da sociedade. A avaliação psicológica cumpre o papel de ajudar a contextualizar as histórias, situando no mundo aquele indivíduo que, antes, representava apenas um número em um processo. "Esse trabalho auxiliava os operadores do Direito a entender as condições de vida e as oportunidades que aquelas crianças e adolescentes haviam tido. Mostrava que elas eram de um mundo diferente daquele onde circulam os advogados e juízes. A Psicologia, dessa forma, ajudava a humanizar as relações envolvendo a Justiça."

Fonte: CRPSP

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Mais de 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho por depressão em 2016

OMS alerta que, até 2020, mal será a doença mais incapacitante do mundo.

Tachada de mal do século, a depressão é responsável por retirar do mercado de trabalho milhares de profissionais todos os anos. No ano passado, 75,3 mil trabalhadores foram afastados em razão do mal, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram 37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais e comportamentais, que incluem não só a depressão, como estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenia e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e cocaína. No ano passado, mais de 199 mil pessoas se ausentaram do mercado e receberam benefícios relacionados a estas enfermidades, o que supera o total registrado em 2015, de 170,8 mil.

Entre 2009 e 2015 (únicos dados disponíveis), quase 97 mil pessoas foram aposentadas por invalidez em razão de transtornos mentais e comportamentais, com destaque para depressão, distúrbios de ansiedade e estresse pós-traumático. Ao todo, esses novos benefícios representam, hoje, uma conta de R$ 113,3 milhões anuais aos cofres públicos.

Para os especialistas, a situação evidencia a necessidade de colocar esse tipo de transtorno no topo da lista de preocupações para políticas públicas e de empresas. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que, até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que entre 20% e 25% da população tiveram, têm ou terão um quadro de depressão em algum momento da vida.

Mudanças de emprego

Para Leonardo Rolim, especialista em Previdência, as políticas públicas falham pois não se preocupam em reintegrar os profissionais no ambiente de trabalho. Segundo ele, apenas 5% dos trabalhadores afastados são reabilitados no emprego:

— Os números são muito grandes, e há uma falha na reabilitação. Mesmo quando volta, o trabalhador demora muito. O Estado gastaria menos reintegrando esse trabalhador do que pagando benefícios por muitos anos.

Ao longo dos seus 32 anos, Manoela Serra já conviveu com episódios depressivos várias vezes. Ela foi diagnosticada com transtorno bipolar em 2009, aos 25 anos. Isso faz com que tenha de conviver com ciclos de euforia e outros em que mergulha em depressão profunda. O primeiro episódio depressivo ocorreu quando ela tinha 15 anos.

No mercado de trabalho, pulou de emprego em emprego, sem se firmar em razão das consequências do transtorno. Além de apatia e insegurança, ela sofria fortes enxaquecas e esofagite. Em alguns dos vários empregos pelos quais passou, chegou a desenvolver síndrome do pânico.

— No início, ficava animada, inspirada, acumulava turnos. É a euforia bipolar. Até um dia em que, de uma hora para a outra, vinha a depressão. Ficava incomodada, com mania de perseguição, achava que não era boa o suficiente, chorava, tinha enxaqueca. O coração disparava e eu entrava num estado de nervos em que achava que ia morrer. A depressão é isso: uma sensação de morte — conta.

Quando a depressão começava, ela era obrigada a levar atestados para se manter afastada. Embora avalie que foi compreendida pelos patrões, quando os atestados se tornavam mais frequentes, não restava outra opção a não ser recorrer ao INSS ou pedir demissão. Nesse ciclo, ela se demitiu de empregos de garçonete, caixa, vendedora, atendente de casa de câmbio e companhia aérea. Diante da falta de uma estrutura de apoio, a alta rotatividade do profissional no mercado de trabalho é um dos efeitos da doença.

Segundo Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, a capacidade de trabalho e todas as outras funções do corpo ficam abaixo do normal em uma pessoa deprimida:

— Todas as funções da pessoa com depressão estão para baixo: a capacidade de trabalho, insegurança, falta de vaidade, a pessoa se sente feia, se sente péssima, sem condições de trabalho, perde as forças, a vontade. Fica sem concentração por causa das alterações do sono. Como trabalhar oito horas após noites seguidas de insônia? Como trabalhar com sonolência excessiva?

Profissões com maior incidência

Depois do diagnóstico, Manoela passou a se tratar corretamente e consegue ter um controle maior das crises, com a ajuda de medicação. Hoje, é escritora e transformou sua história em livro, “O Diário Bipolar”, e dá palestras sobre o tema.

Parte dos problemas que chegam ao INSS foram desencadeados por fatores relacionados ao próprio ambiente de trabalho. De todo o pessoal afastado no ano passado por transtornos de comportamento em geral, ao menos 10,6 mil foram considerados acidentes de trabalho, ou seja, tiveram o ambiente profissional como um dos agentes desencadeadores da doença.

Para casos específicos de depressão, episódicos ou recorrentes, foram 3,4 mil auxílios por acidente de trabalho. Os números, porém, podem ser bem maiores. Parte dos especialistas destaca que há risco de subnotificação, diante da dificuldade em comprovar o papel do ambiente de trabalho na ocorrência de episódios depressivos. Mesmo assim, há profissões que são conhecidas por terem mais afastamentos e aposentadorias ligadas a transtornos dessa natureza. É o caso do mercado financeiro, dos controladores de voo, dos profissionais da área de segurança, juízes, jornalistas e médicos.

Na avaliação de Rolim, em casos de acidente de trabalho, deveria haver algum tipo de ação para que o empregador compense o INSS, já que o ambiente foi considerado um fator que desencadeou a doença.

Por transtornos em decorrência de uso de psicoativos, sobretudo álcool e cocaína, foram 240 afastamentos considerados acidente de trabalho em 2016. Outros 34,2 mil receberam o auxílio previdenciário, quando não há conexão com o ambiente de trabalho. Procurado para falar sobre o assunto, o Ministério da Previdência não comentou.

Carga exaustiva de trabalho

Uma das diretoras da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Rosylane Rocha explica que a depressão é uma doença, com um componente genético, que pode ser desencadeada por uma série de fatores, como o contexto social ou um determinado evento de vida da pessoa. Uma vez que exista a predisposição para a doença, uma carga exaustiva e recorrente de trabalho, um ambiente muito estressante ou uma situação de estresse pós traumático, por exemplo, podem fazer com que o trabalho seja o fator responsável por desencadear o problema. É nesses casos em que os benefícios são considerados acidente de trabalho.

— Esses casos ocorrem quando o médico entende que há uma contribuição relevante do ambiente de emprego para o quadro, a ponto de que, sem isso, a depressão não eclodiria — explica.

Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, o trabalho pode, de fato, ter impacto sobre a saúde do trabalhador:

— O termo “estresse” vem da física, para você medir o estresse de uma ponte, por exemplo. Se passar mais peso do que o previsto, a ponte estressa e rompe. Com o ser humano é a mesma coisa. Se ele passa a trabalhar 12h por dia, por exemplo, vai se estressar e romper, quebrar.


Postura de deprimido - Peanuts


Entenda por que o estresse é prejudicial e o que você pode fazer para melhorar seu bem-estar

Especialista diz que ações que realizamos por vontade própria dão uma mãozinha para os genes encontrarem a sensação de saúde e bem-estar.

Autora do livro A Ciência de Ser Feliz, a psicóloga Susan Andrews criou um macete para sintetizar a nova ciência hedônica (que busca entender a felicidade): genes + condições externas + atividades intencionais. As ações que realizamos por vontade própria, segundo ela, dão uma mãozinha para os genes encontrarem a sensação de saúde e bem-estar.

Susan é norte-americana e vive no Brasil desde 1992. Ela mora no Instituto Visão Futuro, que fundou em Porangaba, no interior de São Paulo. Lá, planta o que come, recicla todo lixo que produz e ajuda a comunidade local. Mas nem de longe leva uma vida tranquila e sem estresse. Envolvida em inúmeros projetos – é ambientalista, monja, antropóloga, socióloga e psicóloga –, ela dá mais de 200 cursos e palestras por ano. Formada pela Universidade Harvard, Susan desenvolveu uma série de técnicas para aliviar a tensão e controlar os efeitos dos hormônios produzidos durante situações de desgaste psicológico – o cortisol é o principal deles.

Lembrando que a palavra crise, em mandarim, significa "perigo" e "oportunidade", Susan acredita que é preciso transformar a raiva, o medo e a depressão em energia positiva para encontrar o centro da estabilidade em si mesmo e aprender a desenvolver o potencial pleno.

– O estresse é a resposta do corpo a qualquer demanda quando forçado a adaptar-se à mudança. Trabalhamos muito, dispomos de menos tempo para o lazer e ficamos cada vez mais estressados – diz a autora.

Segundo o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Estresse da Beneficência Portuguesa de São Paulo, mais importante do que uma falsa noção de que tudo vai bem é o aumento da resiliência frente às adversidades.

– Não é a ausência de problemas que traz felicidade, mas a forma como as pessoas lidam com os problemas – diz.

Ser feliz, nesse sentido, não é apenas uma questão de sorrir o tempo inteiro, mas de como lidar com as lágrimas do caminho.

Caminhos práticos do bem-estar:

A lista da gratidão
— Existem inúmeras coisas na vida, grandes e pequenas, pelas quais podemos nos sentir gratos. Reflita sobre os acontecimentos da semana (ou do dia) e liste cinco fatos que aconteceram pelos quais você se sente grato.

— Escreva uma carta de agradecimento para alguém a quem você nunca fez algo do tipo adequadamente.

— Estudos realizados na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostram que pessoas deprimidas que escreveram essas cartas semanalmente, durante seis semanas, sentiram-se menos deprimidas, mesmo tempos depois. O estudo mostrou que o simples ato de escrever, ainda que o conteúdo não tenha sido entregue, aumenta a sensação de bem-estar.

Fazer o bem a alguém
— Ser bondoso e generoso reduz a depressão, leva à percepção mais positiva dos outros, promove a saúde, aumenta a autoconfiança, desenvolve um senso de significado e valor à vida.

— Fazer o bem ativa os mesmos centros de prazer no cérebro que são estimulados por comida e sexo.

Ioga e massagem
— Praticar ioga pode baixar os níveis de cortisol. Pesquisadores da escola de medicina Jefferson, nos Estados Unidos, coletaram amostras de sangue de iniciantes na prática e descobriram que, neles, o nível de cortisol (hormônio produzido no estresse) despencou imediatamente após a primeira aula.

— Pesquisas demonstram que o aumento do toque da massagem pode aliviar a depressão e diminuir a incidência de resfriados, diarreia, asma, hepatite, dermatite, doenças cardiovasculares, dor crônica, insônia e estresse.

Dormir o suficiente
— Outro modo de baixar o cortisol é dormir o suficiente. Qual a diferença entre dormir seis horas por dia e oito horas? Cinquenta por cento a mais de cortisol na corrente sanguínea, diz o bioquímico Shawn Talbot, autor do livro The Cortisol Connection.

Fonte: ZH

domingo, fevereiro 12, 2017

Especial Época Negócios - Pinterest

"A felicidade dentro da empresa é lucro"

A felicidade dentro da empresa é lucro! Especial Época Negócios

Vivendo o momento presente!

Você sabe por que seu cão está mais feliz do que você?

¿Sabes por qué tu perro es más feliz que tú?

Do you know why your dog is happier than you?

Advogado que comemorou a morte de Marisa é internado e passa mal após sofrer AVC

Advogado que soltou fogos para comemorar a morte de D. Marisa, é internado após sofrer um AVC.

O advogado paulista *Flávio Sousa sofreu nas primeiras horas da manhã de hoje (3) um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e passa mal em um centro médico da grande São Paulo. *Sousa, segundo um ex-cliente, além de jovem (menos de 40 anos), aparentava ser saudável e não tinha queixas de problemas graves anteriores de doenças.

O advogado, de acordo com vizinhos de sua residência, chegou a soltar fogos de artifício quando Dona Marisa Letícia sofreu o mesmo problema e se internou no hospital Sírio Libanês. “Quando ela morrer, vamos fazer um churrasco para comer os miolos da galega”, é o que dizia abertamente e com muita raiva no meio onde morava, segundo também um vizinho seu.

Castigo dos céus? Coincidência? Segundo Armando Ribeiro, psicólogo e coordenador do programa de avaliação do estresse do hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, “Os hormônios por trás da raiva podem se transformar em gatilhos para [várias doenças] e até para um infarto cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC)”.

Que cada um tire suas próprias conclusões.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Entrevista para o jornal da TV Cultura

Bastidores da gravação para o jornal da TV Cultura... com a repórter Mayana Leocadio. 

Papa Francisco revela segredos para combater o estresse

'São José me guarda', afirmou o pontífice. Jorge Bergoglio diz deixar bilhetinhos com os problemas sob a imagem do carpinteiro que criou Jesus.

O Papa Francisco assegurou que seu espírito está em paz desde sua eleição e que, apesar de ter de enfrentar a corrupção dentro do Vaticano, ele não precisa recorrer a ansiolíticos.

"Há corrupção no Vaticano. Mas estou em paz", declarou o Papa, em uma entrevista publicada nesta quinta-feira (9) pelo jornal italiano “Corriere della Sera”.

A ansiedade e a tensão que, por vezes, o tomavam quando era arcebispo de Buenos Aires desapareceram depois de sua eleição ao papado, em 13 de março de 2013, garantiu Jorge Bergoglio.

"Desde o momento em que fui eleito, senti uma profunda sensação de paz. E isso nunca me deixou. Eu estou em paz, eu não sei como explicar isso", garante.

Papa Francisco sorri ao chegar para audiência semanal na Praça São Pedro, no Vaticano (Foto: Andreas Solaro / AFP)

E assegura ainda que as manobras dos conservadores que se opõem ao seu tom e às suas reformas não o impediam de dormir: "São José me guarda".

O Papa explica confiar seus problemas mais complicados em pequenos bilhetes que ele desliza sob uma pequena estátua de José, o carpinteiro que criou Jesus de acordo com a bíblia. A imagem repousa agora sob um colchão de notas.

"É assim que eu durmo bem. É a graça de Deus. Durmo seis horas todos os dias. E eu rezo...", disse o pontífice argentino, de 80 anos, antes de enumerar: breviário, rosário, missa diária...

"Eu não tomo medicamentos ansiolíticos. Os italianos dão um bom conselho: para viver em paz, precisamos de uma boa dose de 'eu não estou nem aí", afirma.

Fonte: G1

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

A sociedade estimula o estresse precocemente. Entrevista especial para a revista Psique.

A sociedade estimula o estresse precocemente

O psicólogo Armando Ribeiro analisa as várias vertentes deste que é um dos problemas de saúde mais frequentes no mundo moderno e alerta para a necessidade de mudanças no estilo de vida, grande desafio da Psicoterapia

Considerado um dos problemas de saúde mais frequentes do mundo moderno, o estresse possui diferentes possibilidades, tanto no que se refere ao diagnóstico quanto à forma de tratamento das doenças ocasionadas por ele e das suas origens. Na avaliação do psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, o estresse é uma reação psicofisiológica natural de adaptação diante de ameaças. “Os hormônios do estresse preparam nosso organismo para enfrentar perigos (reais ou imaginários), mas a ativação prolongada desse mecanismo gera o ‹estresse crônico› ou ‹estresse tóxico›, tornando o organismo mais vulnerável às doenças (físicas e emocionais) e infecções”.

Ribeiro coordena o Programa de Avaliação do Estresse da Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital São José. Segundo o psicólogo, ele desenvolve um serviço baseado no rastreio (combinação entre conceitos da Psicologia da Saúde, Psicologia Positiva e Medicina Integrativa) de fatores psicológicos e comportamentais no meio médico. Este, por sua vez, é tradicionalmente focado nos exames clínicos e laboratoriais de alta complexidade, mas não vê o sujeito como um todo.

Em seu vasto currículo, Ribeiro é mestre em Ciências, especialista em Bases da Medicina Integrativa e especialista em Neuropsicologia. Tem aprimoramento em Psico-Oncologia e é consultor do programa Saúde Emocional, do canal FoxLife. É professor de Medicina Comportamental e supervisor clínico da pós-graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental e da Unidade de Medicina Comportamental do departamento de Psicobiologia da UNIFESP.

O ESTRESSE PODE SER CONSIDERADO UMA DOENÇA OU UM FATOR DE MOTIVAÇÃO PARA O SURGIMENTO DE DOENÇAS, ESPECIALMENTE AS QUE AFETAM O LADO PSICOLÓGICO? 

ARMANDO RIBEIRO – O estresse é uma reação psicofisiológica natural de adaptação diante das ameaças. Os hormônios do estresse preparam nosso organismo para enfrentar perigos (reais ou imaginários), mas a ativação prolongada desse mecanismo gera o “estresse crônico” ou “estresse tóxico” ou “distresse”, tornando o organismo mais vulnerável às doenças (físicas e emocionais) e infecções. Atualmente, existe uma corrente de pesquisa sobre estresse, que defende a expressão “carga alostática” para se referir ao desgaste do organismo em manter a produção prolongada dos hormônios do estresse (principalmente a adrenalina, a noradrenalina e o cortisol). 

VOCÊ DESENVOLVE UM TRABALHO EM PSICOTERAPIA PARA O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE ANSIEDADE, FOBIAS, DEPRESSÃO, IRRITABILIDADE, INSÔNIA, PÂNICO E TRAUMAS. EXISTE ALGUMA RELAÇÃO ENTRE ESSES PROBLEMAS E O ESTRESSE? 

RIBEIRO – O estresse crônico pode ser o “gatilho” para o aparecimento de transtornos mentais (ansiedade, fobias, depressão, irritabilidade, insônia, pânico e traumas). É comum, no consultório, ouvirmos que, antes do início dos sintomas da doença, o paciente se encontrava no limite de sua capacidade de lidar com as fontes de estresse (problemas financeiros, crises afetivas, problemas de relacionamento no trabalho, sobrecarga no trabalho). Existe uma teoria que diz respeito à relação entre “diástese - estresse”, ou seja, nossa predisposição às doenças (diástese) e o gatilho “estresse” como forma de pensar nele como disparador das doenças mais comuns. Atualmente, também reconhecemos o papel do estresse na epigenética, ou seja, na influência do estresse crônico, seja na ativação ou desativação de genes, que predispõem ou nos protegem de doenças. 

Didaticamente, dizemos que existem fontes externas (poluição ambiental, alimentos com agrotóxicos, extremos climáticos, microrganismos etc.) e fontes internas (pensamentos catastróficos, pessimismo, perfeccionismo, pensamento do tipo “tudo ou nada”, esquemas cognitivos desadaptativos etc.), que motivam o estresse

O ESTRESSE INTERFERE NO FUNCIONAMENTO DOS NEURÔNIOS, O QUE PREJUDICA O FUNCIONAMENTO DE UMA MENTE SAUDÁVEL. ESSES NEURÔNIOS ‘BOMBARDEADOS’ PELO ESTRESSE PODEM SER RECUPERADOS? 

RIBEIRO – Neurocientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, já demonstraram que o cortisol pode destruir neurônios, principalmente, na região do hipocampo (associada à memória). Atualmente, também se descobriu que o estresse tóxico diminui a função do córtex pré- -frontal (responsável por diversas funções cognitivas complexas, tais como atenção, aprendizagem, planejamento, flexibilidade cognitiva etc.), literalmente o estresse tóxico “desliga” o córtex pré-frontal e estimula a atividade do sistema límbico, aumentando os estados de ansiedade, medos, fobias e outras. Somente nos últimos anos é que foi comprovado que tratamentos psicopsicológicos “antiestresse” podem estimular a neurogênese em locais ‘bombardeados’ pelos hormônios do estresse. 

O ESTRESSE É CONSIDERADO UM PROBLEMA DA VIDA MODERNA E HÁ MUITAS CONTROVÉRSIAS A RESPEITO DAS RAZÕES QUE LEVAM A ESSE ESTADO. PARA ACABAR COM AS DÚVIDAS, DEFINITIVAMENTE, O QUE PROVOCA O ESTRESSE E QUAIS OS SINTOMAS? 

RIBEIRO – Didaticamente, dizemos que existem fontes externas (poluição ambiental, alimentos com agrotóxicos, extremos climáticos, microrganismos etc.) e fontes internas (pensamentos catastróficos, pessimismo, perfeccionismo, pensamento do tipo “tudo ou nada”, esquemas cognitivos desadaptativos etc.). Nossa sociedade evoluiu bastante em termos de controlar ou reduzir o estresse ambiental, mas pouco ainda conquistamos em termos de uma educação infantil ou de valores sociais que promovam as virtudes humanas, tais como resiliência, solidariedade, compaixão, temperança, autocontrole e por aí vai. Numa sociedade altamente competitiva e baseada no medo, os hormônios do estresse são estimulados precocemente. 

ANTIGAMENTE, AS PESSOAS NÃO TINHAM OS RECURSOS TECNOLÓGICOS, FORMAS DE COMUNICAÇÃO, FACILIDADES DE TRANSPORTE, ENFIM, NÃO HAVIA TANTAS POSSIBILIDADES DE SE OBTER QUALIDADE DE VIDA, EM RELAÇÃO AO CENÁRIO ATUAL. ANTES, A VIDA ERA MAIS DIFÍCIL, NO SENTIDO FÍSICO, POIS O TRABALHO ERA EM LAVOURA, AS MULHERES COZINHAVAM À LENHA E PASSAVAM ROUPA NO CARVÃO. NO ENTANTO, NÃO SE OBSERVAVA A OCORRÊNCIA, PELO MENOS EM GRANDE INCIDÊNCIA, DE ESTRESSE E OUTROS PROBLEMAS SIMILARES. POR QUE ISSO ACONTECE?

RIBEIRO – O conceito médico do estresse é contemporâneo (a partir do século XX), mas outras tradições médicas já observavam que haveria uma condição geral que propiciava o maior risco de adoecimento físico e emocional. O estudo do estresse teve importantes precursores. Contudo, os estudos sobre os aspectos psicológicos do estresse (modelo cognitivo) só ganharam força a partir dos estudos de Richard Lazarus (1966). Podemos considerar que o estresse do homem do campo era, principalmente, físico (exposição ao sol, longas horas de trabalho manual, fome etc.). Atualmente, melhoramos nossas condições físicas e pouco fizemos em direção a criar gerações mais “resilientes” ao estresse social, onipresente em nossas sociedades. Acredito que a melhor “vacina” antiestresse é oferecida nos primeiros anos de vida, por meio de famílias estruturadas, modelos de resolução de problemas eficientes e uma escola emocionalmente equilibrada. 

O TERMO ESTRESSE SE VULGARIZOU AO LONGO DO TEMPO. COMO DETECTÁ-LO E COMO SE PODE CHEGAR À CONCLUSÃO DE QUE OS SINTOMAS SÃO CONSEQUÊNCIA DESSE PROBLEMA OU DE ALGUM OUTRO DISTÚRBIO MENTAL OU FÍSICO ESPECÍFICO? E COMO PODEMOS DIFERENCIAR O ESTRESSE PATOLÓGICO DO CANSAÇO, DA FADIGA CRÔNICA? 

RIBEIRO – O problema do termo “estresse” é que ele se equiparou ao termo “virose” ou “doença psicossomática”, ou seja, se torna um meme com vida própria e indistinto de sua definição original. Atualmente, é possível avaliarmos o nível de estresse em que se encontram os pacientes, por meio de testes psicológicos validados pelo Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos do Conselho Federal de Psicologia (SATEPSI – CFP), da avaliação psicofisiológica (por intermédio de equipamentos de biofeedback – variabilidade da frequência cardíaca, resistência galvânica da pele etc./ Neurofeedback – ondas cerebrais) e, também, de exames laboratoriais (níveis de cortisol/ adrenalina). A avaliação de um profissional da saúde especializado é fundamental para diferenciarmos entre condições patológicas. Portanto, a abordagem ao estresse deve ser multiprofissional. 

Melhoramos nossas condições físicas e pouco fizemos em direção a criar gerações mais “resilientes” ao estresse social. Acredito que a melhor “vacina” antiestresse é oferecida nos primeiros anos de vida, por meio de famílias estruturadas, modelos de resolução de problemas eficientes e uma escola emocionalmente equilibrada.

PESQUISAS INDICAM QUE, PARA CADA HOMEM DIAGNOSTICADO, DUAS MULHERES SE RESSENTEM DO PROBLEMA. VOCÊ PODE EXPLICAR QUAIS AS DIFERENÇAS PSICOLÓGICAS ENTRE AMBOS QUE DETERMINAM ESSE FATO? 

RIBEIRO – Pesquisas nacionais e internacionais têm obtido resultados semelhantes, ou seja, existe, em média, duas mulheres com diagnóstico de estresse crônico para cada homem. O principal argumento é em relação aos múltiplos papéis da mulher na sociedade contemporânea. A sobrecarga delas, que assumiram diversos papéis na vida, é um dos principais motivos para o estresse ter aumentado. Uma pesquisa da Nielsen, com 6.500 mulheres de 21 países, revelou que as brasileiras ocupam a quarta colocação entre as mais estressadas, com 67% das pesquisadas. As três primeiras colocações ficaram com Índia (87%), México (74%) e Rússia (69%). 

ESSE QUADRO SE REPETE EM RELAÇÃO ÀS CRIANÇAS? COMO PAIS E PROFESSORES PODEM IDENTIFICAR O PROBLEMA? MUITOS TENDEM A JULGAR ALGUNS COMPORTAMENTOS COMO MANHA, MAU COMPORTAMENTO ETC. O TRATAMENTO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES É DIFERENTE DO QUE É FEITO EM ADULTOS? 

RIBEIRO – Cada vez mais crianças e adolescentes vão aos consultórios (pediatras e psicólogos clínicos) com queixa ou sintomas de estresse crônico.Os sintomas do estresse, em crianças e adolescentes, podem ser diferentes dos encontrados em adultos. Segue uma lista dos principais sintomas infantis: sintomas físicos – diarreia, dor de barriga, dor de cabeça, enurese noturna, falta de apetite, gagueira, hiperatividade, mãos frias e suadas, náuseas, ranger dos dentes, tensão muscular e tique nervoso; sintomas psicológicos – introversão súbita, terror noturno, agressividade, ansiedade, hipersensibilidade, dificuldades interpessoais, pesadelos, preocupação, impaciência, insegurança, desobediência, medo ou choro excessivo. 

NINGUÉM FICA ESTRESSADO DO DIA PARA A NOITE. NA PRÁTICA, OCORRE UMA MUDANÇA LENTA E GRADUAL NA PESSOA. É POSSÍVEL PERCEBER E COMBATER O PROBLEMA ANTES DE ELE ESTAR DEFINITIVAMENTE INSTALADO?

RIBEIRO – O estresse agudo, que aparece em situações pontuais, é rápido e naturalmente adaptativo, mas é o estresse crônico que preocupa os especialistas, porque as pessoas vão ignorando o custo de se manterem tensas por muito tempo, produzindo cargas tóxicas de hormônios do estresse. No modelo quadrifásico do estresse, compreendemos que existem quatro estágios de evolução dos sintomas: fase de alerta (mãos e pés frios, boca seca, dor no estômago, aumento da transpiração, tensão e dor muscular, aperto na mandíbula, ranger os dentes ou roer unhas ou a ponta da caneta, diarreia passageira, dificuldade para dormir); fase de resistência (queixas de memória, mal- -estar generalizado, formigamento das extremidades, sensação de desgaste físico, mudança de apetite, problemas dermatológicos, hipertensão arterial, irritabilidade e desejo sexual diminuído); fase de quase- -exaustão (o processo de adoecimento se inicia e os órgãos que possuírem maior vulnerabilidade genética ou adquirida passam a mostrar sinais de deterioração); fase de exaustão (diarreias frequentes, dificuldades sexuais, insônia, tiques nervosos, hipertensão arterial, doenças dermatológicas, taquicardia, tontura frequente, pesadelos frequentes, apatia, cansaço excessivo, irritabilidade e angústia). 

ALGUNS ESPECIALISTAS AFIRMAM QUE O ESTRESSE, EM CERTA MEDIDA, FAZ BEM, POIS AUMENTA A PRODUTIVIDADE E FORTALECE O SISTEMA IMUNOLÓGICO. O QUE ACHA DESSA ANÁLISE?

RIBEIRO – Muito cuidado! O estresse, inicialmente (fase de alerta ou “eustresse”), potencializa os recursos do organismo, torna a mente mais focada e ágil na resolução de problemas, mas, infelizmente, ninguém fica nesse estado por muito tempo. Há empresas que fomentam a cultura do estresse como algo positivo, mais produtividade em menos tempo, mas ignoram que o ganho imediato será perdido com o aumento de afastamentos por licença médica, perda da produtividade, perda da criatividade, aumento do número de acidentes de trabalho, aumento da rotatividade... 

Pesquisas nacionais e internacionais têm obtido resultados semelhantes, ou seja, existem, em média, duas mulheres com diagnóstico de estresse crônico para cada homem. O principal argumento é em relação aos múltiplos papéis da mulher na sociedade contemporânea

OS PROFISSIONAIS, UNANIMEMENTE, DIZEM QUE O REMÉDIO CONTRA O ESTRESSE É MUDAR O ESTILO DE VIDA. CONTUDO, NA PRÁTICA, ISSO NÃO É TÃO SIMPLES. AS PESSOAS TÊM UMA ROTINA DITADA PELAS OBRIGAÇÕES PROFISSIONAIS E PESSOAIS E NEM SEMPRE É POSSÍVEL ALTERÁ- -LA, ALÉM DE DIFICULDADES INERENTES AO DIA A DIA. COMO LIDAR COM ISSO?

RIBEIRO – O estilo de vida pode ser fonte de estresse, mas modificá-lo poderá, inicialmente, ser ainda pior. Em minha opinião, existem mudanças mais fáceis e outras mais difíceis de serem implementadas, caso a caso. Não podemos criar uma terapia “antiestresse” mais estressante do que a própria vida do paciente. O meu trabalho é, principalmente, voltado para que o paciente se torne consciente de sua vida atual. Para isso, as práticas de mindfulness (atenção plena) são, atualmente, as estratégias mais bem utilizadas nos grandes centros médicos, pois não impõem mudanças externas, mas, sim, que as pessoas saiam do “piloto-automático” de suas vidas e voltem a perceber os ritmos naturais, como a necessidade de se hidratar, de respirar profundamente, de descanso, de sono etc. 

VOCÊ PROCURA ESTUDAR E APLICAR AS POSSIBILIDADES DE ASSOCIAÇÃO ENTRE ABORDAGENS PSICOTERAPÊUTICAS CONVENCIONAIS, COMO TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, E AS TERAPIAS COMPLEMENTARES, COMO ACUPUNTURA, HIPNOSE, BIOFEEDBACK, MEDITAÇÃO ETC. ESSAS FORMAS DE TRATAMENTO MAIS ALTERNATIVAS NÃO SOFREM PRECONCEITOS, PRINCIPALMENTE NO AMBIENTE CIENTÍFICO?

RIBEIRO – As terapias integrativas vêm sendo amplamente estudadas pela Medicina e Psicologia científicas atuais. O problema, muitas vezes, não está nas terapias em si, mas no despreparo dos profissionais que executarão tais abordagens. A falta de regulamentação da formação nessas terapias, com critérios claros de proficiência profissional, de um código de ética e de evidências científicas pode aumentar o preconceito profissional. Mas sinto, infelizmente, que o preconceito é, muitas vezes, maior nas associações de classe, que regulamentam as profissões de saúde, do que nos meios acadêmicos. Alguns conselhos profissionais avançaram na regulamentação de tais práticas, tais como os federais de Enfermagem, Fisioterapia, Odontologia e o próprio Conselho Federal de Medicina. Quanto à Psicologia, temos, apenas, duas resoluções específicas, uma para a prática da Hipnose e outra para a Acupuntura (questionada no projeto do Ato Médico).

EXISTE ALGUM MOMENTO EM QUE O ESTRESSE PRECISA SER TRATADO COM MEDICAMENTOS?

RIBEIRO – Não existe remédio para o estresse, mas, sim, para as doenças relacionadas a ele. Medicar o estresse seria como desligar um alarme, que indica que estamos sob ameaça iminente. O melhor é entender as causas e, aí sim, modificá-las. Temos dados oficiais, que descrevem um aumento significativo da venda de medicações calmantes (benzodiazepínicos) e antidepressivas, usadas pela população geral, mas é importante compreender que elas não tratam as fontes do estresse e podem mascarar o desconforto, resultado de um estilo de vida negativo. Não somos contra a medicação, mas é preciso reconhecer que existem abusos em nossa sociedade. 

Há empresas que fomentam a cultura do estresse como algo positivo, mais produtividade em menos tempo, mas ignoram que o ganho imediato será perdido com o aumento de afastamentos por licença médica, perda da produtividade, perda da criatividade, aumento do número de acidentes de trabalho e aumento da rotatividade

VOCÊ NÃO ACHA QUE HÁ UM RADICALISMO NO QUE SE REFERE AO USO DE MEDICAMENTOS, OU SEJA, ALGUNS PROFISSIONAIS INDICAM REMÉDIOS INADVERTIDAMENTE E OUTROS, SIMPLESMENTE, NÃO ACEITAM SUA UTILIZAÇÃO? 

RIBEIRO – É uma das questões complexas do sistema de saúde atual, pois envolve desde a formação técnica especializada dos «prescritores» até o interesse e pressão de uma poderosa indústria farmacêutica. Sou defensor de uma postura equilibrada entre a indicação precisa do medicamento e potencializar os recursos naturais de cura dos próprios pacientes. Os medicamentos são bem-vindos em um programa amplo de mudança do estilo de vida, mas não devem substituir o esforço pessoal por uma vida com sentido e propósito. 

O ESTRESSE ESTÁ RELACIONADO COM A ATIVIDADE PROFISSIONAL, OU SEJA, HÁ PROFISSÕES MAIS SUSCETÍVEIS AO ESTRESSE? EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS SERIAM? 

RIBEIRO – Sim. A atividade profissional pode, por si só, representar uma fonte importante de estresse, tais como demonstram os estudos com policiais e profissionais da área de segurança, controladores de voo e motoristas de ônibus, executivos e empreendedores, profissionais da saúde, professores e jornalistas. É importante enfatizar que, além da carga do próprio trabalho, as fontes internas de estresse são parte fundamental dessa equação. Por isso, observaremos médicos, no mesmo plantão, em estado de calma e concentração e, também, aqueles que estão sobrecarregados com o estresse crônico. 

Fonte: Revista Psique (edição 101 / 2014)